osdegrausdecassandra

Sunday, August 27, 2006


Poema do Primeiro Amor


Esta casa está cheia de ti,
a cada passo sinto-te aqui,
Há quanto tempo e ainda assim,
nunca saíste sem teres chegado a entrar,
sem teres sido o que não quis que fosses,
sem acontecer o que devia ter acontecido.
Tudo o que vejo já foi teu
sem que tomasses jamais posse,
e nada te pode impedir de entrar.
Era uma vez, já não é, quem dera fosse,
secou à chuva, sem volta, feneceu,
Agora vejo que não és tu que estás na casa,
quem está cheia de ti ainda...
sou eu.

Cassandra, 1998

If you always do what interests you, at least one person is pleased

Katharine Hepburn
1907 - 2003
"Being a housewife and a mother is the biggest job in the world, but if it doesn't interest you, don't do it - I would have made a terrible mother."
"Death will be a great relief. No more interviews."
"If you always do what interests you, at least one person is pleased."
"If you want to sacrifice the admiration of many men for the criticism of one, go ahead, get married."
"Love has nothing to do with what you are expecting to get - only with what you are expecting to give - which is everything."
"The average Hollywood film star's ambition is to be admired by an American, courted by an Italian, married to an Englishman and have a French boyfriend. "
"Someone asked someone who was about my age: "How are you?" The answer was, "Fine. If you don't ask for details." "
"Life is hard. After all, it kills you."

There's no business like show business


Ethel Merman
1909-1984 (NYC)
"I wouldn't trust any man as far as you can throw a piano."
"I love typing a letter. It just seems to flow. The only thing is that I'm afraid of breaking my fingernails."
"I was born in my parents' bedroom on January 16. The World Almanac says it was 1909. I say it was 1912. But what difference does it make as long as I feel 33?"
"Legend has it that when God created me, he gave me a big distinctive voice, a lot of boldness and no heart. "
"Of my four marriages, the one to Bob Levitt is the only one I don't regret."

Dos fracos não reza a história



Dos fracos não reza a história...

http://www.flurl.com/item/Hamburg_Song_u_175151

http://www.flurl.com/item/Put_it_behind_you_u_175152

Tom Chaplin & Keane (Under the Iron Sea, 2006)

Monday, August 21, 2006

Cerémonie des Adieux

É, então, a cerimónia do adeus?» - disse-me Sartre quando nos separámos por cerca de um mês, em principios de um Verão. Compreendi então o sentido que teriam um dia essas suas palavras. A cerimónia durou dez anos e são esse mesmos anos que descrevo neste livro."

Simone de Beauvoir, Cerémonie des Adieux, 1981

Sugestão literária da Cassandra para se e quando se fartarem da "Caras" e do Sudoku.


Um mi apenas


Disseste-me que aprendes violino,
que o acaricias com a face,
que fazes música,
duas notas, um hino.
É emprestado o teu instrumento,
e tocas menos por isso,
porque talvez se gaste,
porque não é teu.
Sei que pediste um à ti-Lu, pelos anos,
pelos teus e pelos dos manos,
e quase enterneceste e velha jarreta.
Talvez to prometa, to cumpra e to compre,
num antiquário já muito chalado,
que venda um violino achado,
entre Minsk e Alexandria,
por um preço disparatado,
porque no auge da sua chalupice,
se enamorasse da tua tia.
Não sabes o que é um Stradivar(i)us ?
Tem um nome muito complicado ?
Mas olha que é estrangeiro,
tem classe e estilo.
Não. Basta que toque.
Até pode chamar -se Manel ou Ricardo.
Nunca te vi ou ouvi tocar violino.
Tens uma imaginação delirante.
Pode não passar de um devaneio,
e eu, neste quarto distante,
vejo o S. Carlos cheio,
de fato escuro, solene,
suspenso na arco que seguras nas mãos,
no gemido agudo das cordas, perene,
Duvido que saibas uma nota,
mas espero que na minha volta,
me acolhas com Vivaldi,
como num atentedor de chamadas,
com música de elevador,
no torpor... das coisas pequenas...
Mas sei que saberei ser feliz,
se, fungando do nariz,
me tocares, baixinho...
um mi apenas.

Poema: Cassandra (1999)
Pintura: Marc Chagall, Jewish Theater, Music, 1920

Saturday, August 19, 2006

Dava o meu braço direito para ver isto!

http://www.cirquedusoleil.com/CirqueDuSoleil/en/showstickets/love/intro/intro.htm

Os mais doces bárbaros



http://www.flurl.com/item/Os_mais_doces_brbaros_u_173947

Com amor no coração preparamos a invasão
Cheios de felicidade entramos na cidade amada
Peixe Espada, peixe luz, doce bárbaro Jesus
Sabe quem é otário, peixe no aquário nada




Alto astral, altas transas, lindas canções
Afoxés, astronaves, aves, cordões
Avançando através dos grossos portões
Nossos planos são muito bons




Com a espada de Ogum e a benção de Olorum
Como num raio de Iansã rasgamos a manhã vermelha ...
Tudo ainda é tal e qual e no entanto nada é igual
Nós cantamos de verdade e é sempre outra cidade velha


[Maria Betânia, Gal Costa, Caetano Veloso e Gilberto Gil antes e depois de fazerem parte do establisment político cultural brasileiro. Os planos eram muito bons...como todos os planos devem ser e são sempre]

Arte POP

Andy Warhol, Cápsula do Tempo




O Papa Bom

Angelo Giuseppe Roncalli nasceu em
Sotto il Monte (província de Bérgamo, Itália) em 25 de Novembro de 1881. Era o quarto filho numa família de trabalhadores agrícolas de catorze. Roncalli foi ordenado sacerdote Católico na Igreja de Santa Maria in Monte Santo (Roma) em 1905. Em 1915, quando a Itália entrou na Primeira Guerra Mundial, foi alistado como sargento do corpo médico e capelão militar dos soldados feridos que regressavam da linha de combate. Em 1921, o Papa Bento XV nomeou-o presidente da Sociedade para a Propagação da Fé. Em 1925 o Papa Pio XI nomeou-o Visitante Apostólico na Bulgária, elevando-o a Bispo pela Diocese de Areopolis. Escolheu como lema episcopal Oboedientia et Pax (Obediencia e Paz), que sempre conservou como lema pessoal. Em 1935, foi nomeado Delegado Apostólico na Turquia e Grécia.
Em
1944, o Papa Pio XII nomeou-o Núncio Apostólico em Paris. Quando foi elevado a Cardeal, o presidente francês reclamou para si o antigo privilégio dos monarcas franceses e deu-lhe o título de solidéu vermelhonuma cerimónia no Palácio do Eliseu. Em 1953, além de Cardeal, foi nomeado patriarca de Veneza. Na sua permanência em França, Angelo recordaria mais tarde em tom de humor que quando uma mulher com vestes muito reduzidas entrou na sala em que ele se encontrava numa recepção, as pessoas da sala não olharam para ela, mas sim para ele, a ver se ele olhava para a recém-entrada.

João XXIII convocou um concílio ecuménico - o Concílio do Vaticano II - menos de 90 anos após o último (Concílio do Vaticano I, convocado por Pio IX para afirmar o dogma da infalibilidade papal). Enquanto se falava numa década para prepará-lo, o Papa João planeava-o dentro de poucos meses. A partir deste concílio houve mudanças significativas no Catolicismo: uma nova Missa, ecumenismo, missas a serem rezadas na língua vernácula e não em latim, e uma nova abordagem aos problemas do Mundo. A centralização do poder no Vaticano, iniciada no final do sséculo XIX, foi revista, sendo a Igreja vista como uma comunidade de cristãos em todo o mundo, em lugar de uma hierarquia onde a infalibilidade papal dita a conduta dos fiéis.

Conhecido como o "Papa Bom", João XXIII foi declarado beato por João Paulo II em 2000. Faleceu de cancro no estomago, após longa luta contra tal enfermidade, em 3 de junho de 1963.


Marcelo Caetano(Professor universitário e político português)
17-8-1906, Lisboa
26-10-1980, Rio de Janeiro

Licenciado em Direito no ano de 1927 pela Universidade de Lisboa, foi o primeiro a doutorar-se na mesma universidade (1931) na especialidade de Ciências Político-Económicas. Professor de Direito Administrativo desde 1933, é da sua autoria o Código Administrativo, em vigor desde 1936. Foi reitor da Universidade de Lisboa (1959-1962) e, no Rio de Janeiro, director do Instituto de Direito Comparado na Universidade Gama Filho (1974-1980). Vogal da União Nacional em 1932, foi comissário nacional da Mocidade Portuguesa (1940-1944), ministro das Colónias (1944-1947), presidente da comissão executiva da União Nacional (1947-1949), presidente da Câmara Corporativa (1949-1955), ministro da Presidência (1955-1958) e, como sucessor de Salazar, chefe do Governo (1968-1974), sendo deposto e obrigado a exilar-se pela revolução de 25 de abril de 1974. Publicou valiosa obra de índole jurídica e do campo da história do direito e ainda alguns volumes de temática política. Obras principais: Manual de Direito Administrativo (1937), A Administração Municipal de Lisboa durante a 1ª Dinastia (1951), Manual de Ciência Política e Direito Constitucional (1952), Lições de História do Direito Português (1963), História Breve das Constituições Portuguesas (1965), As Minhas Memórias de Salazar (1977), Depoimento (1977), Constituições Portuguesas (1978) e História do Direito Português, 1140-1495 (1981).

Não, não há em mim uma gota de fascismo, de simpatia pela monarquia, de patriotismo e nacionalismo exacerbados. Nada mesmo. Eu teria detestado viver num país sem Janis Joplin, Andy Wharhol, biquini e Paz.

O meu pai esteve quase três anos no exército, dois deles passados em Angola. Enquanto rastejava pelo capim o mundo, tal como ele o conhecia, deixou de existir. Voltou de barco, já primeiro cabo, para descobrir que todo o dinheiro que enviara, todos os postais, cartas, fotografias, beijos e abraços tinham encontrado vazia a casa da sua infância.

Porém, abomino viver num país onde já não há palavra, honra, lealdade, salsa emprestada dos vizinhos, crianças que reprovam no 1.º Ciclo (o antigo ensino primário), um país onde não se precisa de nada senão de ser despudoradamente chico esperto.

Sempre gostei da ideia por detrás dos duelos. A reparação da ofensa cara a cara, a honestidade e lisura de um golpe de sabre, de uma chicotada, de uma murraça franca. Não, não faço a apologia da violência, gosto apenas de lembrar que, ao lado de todos os desastres sangrentos (que os houve e em grande número) sempre existiram os abraços finais, as palmadas nas costas e o renovar de amizades de uma vida, que uma ocasional velhacaria tinha posto em causa.

Não preconizo o regresso das pistolas a dez passos ao amanhecer no Campo Grande. O tempo já se encarregou de apurar os confrontos. Seria apenas bem vinda a bravura, a dignidade, a franqueza de uma discussão olhos nos olhos, uma vontade férrea que o medo não dobra, em lugar da mesquinhez que grassa nos que rastejam por dinheiro, por promoção social, por corbardia pura.

Marcelo Caetano exilou-se no Brasil. Com ele foram outras figuras do Estado Novo, caso do Almirante Américo Tomás, o Presidente da República deposto. Marcelo não tinha dinheiro para pagar o hotel em o tinham hospedado. Foi um aluno que o conhecia muito bem apenas dos livros quem se apresentou voluntariamente para saldar a dívida do Professor. Marcelo viveu num mosteiro, depois, parcamente, num apartamento onde empenhou o dinheiro resultante da venda da sua casa de Lisboa. Marcelo tinha saudades. Américo regressou a Lisboa. Tinha feito o "requerimento". Marcelo tinha mais de setenta anos, estava doente e só, longe da pátria que era a sua. Bastava-lhe uma assinatura para voltar a casa. Não implorou, nem sequer pediu. Morreu em 1980 no Rio de Janeiro e por lá permanece. Admiro a sua dignidade. Prendam-me.

Friday, August 11, 2006

Música de Verão...de há muitos Verões...
http://www.flurl.com/item/God_only_knows_u_168619
http://www.flurl.com/item/Good_Vibrations_u_168620
http://www.flurl.com/item/Time_to_get_alone_u_168622
http://www.flurl.com/item/Don__t_worry_baby_u_168623
Beach Boys











Quando Gal Gosta quis ser Janis Joplin.

http://www.flurl.com/item/Cinema_Olympia_Gal_Costa_u_168593

Letra e música Caetano Veloso (do LP Gal 1969)



Monday, August 07, 2006

O último filme a emocionar-me. Deus soprou vida nas narinas de Adão. Adão quis retribuir a cortesia e reconstruiu Deus à imagem e semelhança da sua pequenez, com desígnios que eram apenas os seus, e, sendo fiel à sua fraude, é, tão somente,... egoísta.

As irmãs de Maria Madalena de Peter Mullan

http://www.atalantafilmes.pt/2003/asirmasdemariamadalena/index.htm

Wednesday, August 02, 2006

Retrato de um Verão triste...acho eu

Paul Gaugin

Femmes de Tahiti (sur la plage) 1891

Musee d'Orsay, Paris

Monday, July 31, 2006

Talvez devesse pedir desculpa

E o chão faz-se em degraus, outra vez inesperados (e eu sabia que eles estariam lá). Esperava que ontem estivesse em outra dimensão, que tivesse sido sempre hoje, que já não me doessem as costas e a alma. Porquê que o telefone não toca bem...esgalha apenas um assomo de requiem numa pianola de feira...e eu esperei a noite inteira por um esgar de madrugada, esperança, já morta e enterrada.

Talvez tenha feito sempre a coisa errada, talvez soubesse, apenas, que não era a certa. O dilema... de ir ou não para casa, numa asa que tarda.

Talvez não te tivesse ter deixado nunca, não quando o meu corpo se apartou de ti e não mais me respiraste junto à cara, mas quando o meu coração bateu longe da tua vida, por tantas vidas que não a tua e veio à tona aquele oceano. Talvez devesse pedir desculpa...mas não sou hipócrita o suficiente. Não sei se me arrepende ou apenas me desconforta a incerteza dos degraus que piso.

Talvez fosse meu destino ter-te salvo, não antes mas... agora, e tudo pudesse ser lido na palma da minha mão pequenina. Percebo agora que não sei ler, não sei ler nada que não a letraria no papel alvo. Não sei ler a minha mão, nem os teus olhos de conta...nem a tua alegria impostora, nem a tua tristeza encenada.

E equilibrando-me no degraus que se me oferecem...compreendo que não sei nada.

Cassandra (toda a gente tem desertos...toda a gente sabe ser Job)